MCS na sétima edição da Money Week


Tive o prazer de ter sido convidado pelo #btgpactual e EQI Investimentos para participar da Money Week. O evento foi muito produtivo no quesito troca de informações e tivemos excelentes palestras de grandes nomes do mercado, como Ricardo Amorim, Ricardo Bellino (Dealmaker) e Luis Stuhlberger (Verde Asset).


A seguir, alguns insights valiosos de serem compartilhados:



(i) Deixando de lado as incertezas políticas que naturalmente um novo governo trás quando nos questionamos se irá atuar como indutor ou inibidor de investimentos nos próximos anos, o Brasil reúne nesse momento condições macroeconômicas mais competitivas do que a média dos países desenvolvidos;


(ii) Agimos rápido fazendo o nosso “dever de casa” primeiro, comparativamente a maior parte dos países desenvolvidos que tiveram enormes estímulos monetários para o combate à pandemia e; por consequência, já enfrentam um processo inflacionário desafiador, com necessidade de ampliação imediata de taxa de juros, que poderá desencadear em uma recessão técnica nos próximos anos.


(iii) Somos referência mundial no combate à inflação; historicamente esse assunto faz parte da nossa agenda econômica há décadas. Apesar de termos “derrapado” com uma ilusória taxa SELIC a 2% a.a., foi possível corrigi-la para um patamar capaz de controlar o nível de preços.


(iv) Conquistamos o direito de ter um Banco Central Independente e forte, conduzindo uma política monetária de forma bastante ativa e baseado exclusivamente em critérios técnicos.


(v) O ESG é uma realidade que veio para ficar de forma definitiva. Nossa matriz energética é uma das mais limpas do planeta e com maior índice de eficiência por conta das condições climáticas favoráveis do nosso território. Considerando que os países desenvolvidos não terão outra opção, se não continuar queimando carvão e petróleo em suas usinas termoelétricas como fonte primária de abastecimento energético, temos uma imensa oportunidade de entrar no mercado de créditos de carbono de forma dominante.


(vi) O mundo precisará cada vez mais de alimentos. Nosso setor agro vem batendo seguidos recordes de produção a cada ano e, considerando a nossa área cultivável e com baixo risco de catástrofes meteorológicas, a tendência é que seguiremos recebendo um bom volume de investimentos nesse setor ao longo dos próximos anos.


(vii) A invasão da Ucrânia pela Rússia traz um redesenho de uma nova ordem geopolítica mundial. Muitos analistas políticos acreditam que a omissão de uma resposta militar compatível por parte da OTAN deixou claro para a China que não existirão fortes resistências quando “esse jogo” envolve potências nucleares. Por conta disso, não será uma surpresa a China interpretar essa situação como um sinal verde para uma invasão à Taiwan. E o que que isso tem a ver conosco na prática?


Em uma possível invasão à Taiwan acontecendo, mesmo em um prazo incerto (curto, médio ou longo prazo), necessariamente ocorrerão reflexos globais já que é a maior produtora de insumos de componentes eletrônicos. Nesse caso, investir na China ou em outros países emergentes relativamente próximos a uma região de conflito (Índia e Indonésia) não é uma opção para uma empresa que deseja reforçar sua presença internacional. Por exclusão, o Brasil despontaria como uma opção de país emergente com uma economia de grande potencial.


(viii) China saindo do lockdown e ainda tentando se reestabelecer dos graves problemas de abastecimento de forma rápida, poderá desencadear um aumento no valor das commodities e; consequentemente, incentivar o setor de exportação de produtos primários com impacto direto em nosso superavit comercial.


(ix) A inflação nos EUA e esperado remédio de elevação das taxas de juros pelo FED acima das expectativas do mercado deverá colocar fim a uma era onde o baixo custo do dinheiro impulsionava a abundância de investimentos em capital de risco, notadamente no setor de Startups de tecnologia. A antiga prioridade na estratégia de crescimento do negócio em detrimento de sua geração de caixa deixará de ser um modelo sustentável e poderão entrar em colapso, incluindo aquelas empresas americanas com presença global e bastante conhecidas. Nesse contexto, é possível que surjam boas oportunidades para o empreendedor de tecnologia brasileiro.


Todavia, é preciso alertar que todas essas possíveis oportunidades no cenário local somente serão materializadas, desde que sejam cumpridas as seguintes condições:


(i) O Novo governo assuma uma postura de responsabilidade na política de gastos públicos, comprometendo-se com a Lei de Responsabilidade Fiscal e não extrapolando o teto de gastos no orçamento;


(ii) A esperada recessão técnica dos países desenvolvidos não venha acompanhada de uma “crise financeira global” (com a quebra de bancos e grandes instituições); algo que teria o calibre de gerar um efeito cascata em toda a economia global e descambar em um nível de descontrole imprevisível.


Em relação à potencial crise financeira citada acima, não temos nenhum tipo de controle sobre essa situação... Já no que toca à postura esperada do novo governo, é torcer para a turma em Brasília ser capaz de conduzir o país através de uma política social equilibrada e harmônica com os diferentes setores da sociedade, mas sem abrir mão de uma política fiscal rigorosa. Agir na contramão desse equilíbrio será um retrocesso e com graves consequências já amplamente conhecidas por todos nós.


Que esse seja um caminho pavimentado para deixarmos de ser conhecidos como a nação “que não perde a oportunidade de perder oportunidades”.